Às vezes quero
falar de amor. Só falar. De vez em
quando acordo uma Simbolista de primeira, subjetiva pra todo o sempre, princesa Disney. Sim, nesse nível. Um ser
abissalmente repetitivo e tolo, como dizem que o amor deve ser. Eu ajo assim,
mas discordo. O amor não é isso. Não que eu saiba, afinal eu só falo disso por
falta de outro assunto (mentira). Não que eu saiba, afinal eu só falo disso
porque é um assunto universal (mentira).
Apenas
converso e desconverso sobre o assunto. Umas duas vezes por dia alguém fala de
amor perto de mim, e eu aceno fingindo entendimento. Se eu estou mentindo novamente?
Não, dessa vez não.
Atualmente,
há espaço para se falar de amor nesse mundo? Eu ainda acredito que sim. Seria
eu ‘a dreamer’? Seria eu ‘the
only one?’
No
mundo de tantas urgências, não deveria ser o amor a primeira delas? Se eu li ou
não li a mensagem no whatsapp pouco importa, se estive on line pela última vez
há três minutos e está tudo azul, tanto faz...
Será que não
devíamos nos preocupar com a nossa falta de amor?
Soou piegas?
Eu sei, sou piegas. Eu sou Charlotte.
Às vezes quero
falar de amor. Todos os tipos de amor. São tantos... Pessoalmente eu acho que
cada um deveria escolher ao menos um tipo pra experimentar. De verdade. Se
permita, meu caro. Se eu sou piegas todo dia falando disso, porque você não
pode tentar? Ame! Ame, pelo amor de Deus! Abrace seu filho agora, diga pro seu
gato o quanto o ama, escreva uma mensagem praquele amigo distante agora mesmo.
Elogie, afinal o elogio –sincero - é uma forma de amor.
Às vezes quero
falar de amor. Só falar: ou escrever.
Meu coração
simbolista precisa disso. Descubra o que o seu precisa e vá em frente.
Se as
urgências desse mundo te desanimarem, não esqueça o amor. Se parecer que não há
nada nem ninguém para ser amado, olhe de novo.
E de novo, e de novo. Todo dia.
Ame.
Às vezes quero
falar de amor, mas quando minhas palavras são insuficientes, recorro a seres
maiores que o tempo- os poetas:
“Pensa na manhã
Em que iremos, numa viagem,
Amar a valer,
Amar e morrer
No país que é a tua imagem!
Os sóis
orvalhados
Desses céus
nublados
Para mim guardam o encanto
Misterioso e
cruel
Desse olhar
infiel
Brilhando através do pranto.”
(Charles Baudelaire- O convite à viagem)
